Gosto sempre de pensar que a normalidade é relativa. Onde começa e acaba a fronteira do que é normal e do que já não é assim tão normal? Quem são os senhores que estabelecem e controlam essas divisões? E, já agora, com base em quê? Um exemplo muito banal: penso que todos nós temos um pouco de doentes, no sentido em que, todos somos um pouco paranóicos, obsessivos, desconfiados, ciumentos, delirantes (por vezes…), com as nossas manias, pancadas, rituais (chamem-lhe o que quiserem), e por aí fora. Correndo o risco de me expor demasiado, eu:
- Tenho sempre a sensação que os seguranças das lojas olham para mim de forma esquisita, como se fosse roubar, e tenho sempre medo que os sensores eléctricos instalados à saída apitem quando eu sair (e não, não tenho a consciência pesada…);
- Entro sempre pelo mesmo lado da cama para me deitar, e saio sempre pelo lado contrário;
- Tenho complexos com notas na carteira. Não que tenha muitas ou que isto aconteça frequentemente, mas acho que não há forma socialmente aceitável de tirar mais que duas notas da carteira…não sei…parece mal…é coiso…
- Não gosto de mudar o rolo de papel higiénico, nem de o usar até ao fim;
- Quando entro num bar, julgo sempre que toda a gente está a olhar para mim, e a criticar as calças, que por acaso estriei nesse dia. O caso mais flagrante, passa-se nos centros comerciais – sempre que atravesso as praças de alimentação, sinto-me tão observado que nem consigo andar normalmente. Quem, na realidade estiver a olhar para mim (3 pessoas no máximo), vai pensar que tenho algum problema de locomoção;
- Tenho um ritual, desde que acordo, de manhã, até sair de casa, e se o altero, parece que o dia não vai correr bem;
- Detesto toalhas novas, não limpam nada;
- E quando convivo pela primeira vez com amigos de amigos, tenho sempre medo que não gostem de mim ou que descubram que sou um puto num corpo de adulto…;
Será que isto é normal ou acabei de ganhar umas visitinhas até uns consultórios de psicólogos?