Tuesday, July 11, 2006

Parabéns

Um ano de Actos Falhados. Podia ser melhor, podia ser pior, podia nem ser…Não interessa, sinto-me de missão cumprida! E mesmo que seja com média de dois posts por mês, é para continuar.

Em jeito de academia, quero agradecer a todos os que tornaram isto possível, um sincero obrigado, sem vocês isto nunca teria sido possível.

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Thursday, July 6, 2006

Talvez amanhã

Já experimentaram sair de casa à 3h da madrugada? Não é que tenha assim nada de muito especial, mas as ruas desertas, os cafés fechados, os estores corridos nas janelas e varandas, o silêncio e o facto de a única luz ser a dos postes de iluminação, pode deixar-nos a pensar sobre imensas coisas, questões da vida em geral. Que giro, já passei aqui tantas vezes a correr, já me cruzei com tantas pessoas por aqui e agora esta rua é toda minha…ele há coisas…ou então não, podem, apenas, limitarem-se a contar o número de bandeiras orgulhosamente exibidas de pernas para o ar nas janelas. Pensa menos e vive mais, lembrei-me eu, vive o presente, aproveita a vida, cada dia como se fosse o último, o passado já fui lá atrás, aproveita o agora e não penses, amanha logo se vê….realmente, isto de pensar dá trabalho. Se calhar era bem mais fácil limitar-me a fazer o que me apetece sem pensar muito nas consequências, seguir o que o meu coração me diz! Tens que encontrar a felicidade, sê feliz! Agora que me lembro disso, até faz algum sentido. Pois é…se calhar…hum…se calhar isto não é assim tão leviano e irresponsável como eu julgava no início…talvez….até que gostava de encontrar essa tal felicidade, não a senhora que todos os meses me vai cobrar a renda do apartamento, mas a felicidade que taparia os olhos e construiria ilusões! Que bonito que seria…bem, vou é mudar o carro de sítio, não quero acordar e constatar que alguém o tirou dali por mim, ou que tenho uma jante amarela nova, ou, na melhor das hipóteses que um dos vidros está em bocados espalhados pelo chão. A realidade é bem menos idílica e não quero sobrecarregar o meu coração com decisões – já basta o desgraçado não poder parar, nem para dormir. Pensar dá mesmo trabalho, mas vale a pena. Nem que seja pelas dúvidas, pelas incertezas, pelas resoluções (boas ou más), pelas noites sem dormir, pelo sofrimento, angústia e alegria. Pensa menos, vive mais…talvez amanhã, que agora vou para dentro sem fazer barulho.

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Sunday, July 2, 2006

Hoje não

Sabe bem o conforto da cama. É enganadoramente quente e aconchegante. Daqui já não oiço as batidas descompassadas da música que me martelava na cabeça. Não sei porque fui lá, não gosto daquele som demasiado alto. Sei o que me levou lá. O coração não foi, ele só bombeia o sangue, não manda nada. Quando vou eu conseguir controlar-te dentro de mim? E claro que te vi, sentia-te lá. Tudo normal, como sempre, tudo tão fácil. Mas hoje não, não dá, não aguento mais. A bomba acabou de explodir e fez-me implodir. Como é fácil agarrarmo-nos e acreditar em ilusões, em sonhos que não vão chegar…pois, mas hoje não. Não vai dar mais, acabou. O que sempre esteve debaixo do nariz acabou por nos fazer espirrar. É pena, não devia ser assim. Devíamos ter sempre o que queremos, da maneira que queremos…é tão estranho desejar-mos o mesmo e estar-mos tão longe…Hoje acabou. Dói e vai doer, claro, de outra maneira não podia ser, mas é estranho, não me sinto mais leve. Será que o peso que carregamos nos ombros desapareceu? Quero que sim e desejo que não…

E viva Portugal!

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Wednesday, May 31, 2006

Mecânicos

Sei que todas as profissões têm as suas características muito próprias, e que todas são passíveis de serem estereotipadas, mas os mecânicos são mesmo…peculiares. Quem já foi a uma oficina sabe que todas elas têm um ambiente e aspecto únicos. Carros de capot aberto, sem motor, panos desfeitos cheios de óleo, latas, frascos, recipientes vários cheios de líquidos de diversas cores, tubos, fios, máquinas cuja função nunca hei-de perceber, calendários com mulheres desnudas, pneus, tudo isto é obrigatório para a oficina ser considerada como tal. Isto, sem esquecer o mítico escritório – aquele compartimento minúsculo, com o letreiro na porta, composto apenas por uma secretária, cadeira, muitos papéis espalhados e misturados com calendários e por uma calculadora, daquelas que “imprimem” logo o recibo. Este último é o objecto mais avançado, e só existe porque não pode ser substituído por um ábaco. Tudo isto ao som da rádio local que complementa aquele ambiente…escuro, de paredes sujas (pergunto-me se haverá alguma oficina de paredes brancas…?).

Ao entrar numa oficina sinto-me sempre um miúdo e o meu nível de masculinidade cai a pique. Sinto-me completamente inferiorizado por mecânicos – aquela figura de fato de macaco, que cumprimenta com um “aperto de pulso”, conhece todos os mecânicos da zona e que faz “preços de amigo”, de certa forma intimida-me. Aquilo é que é! Eles andam sempre todos sujos de óleo, metem-se debaixo dos carros, não se queimam, possuem uma parafernália de palavras injuriosas, e derivadas, que não acaba (algumas nem sabia que existiam…), mudam correntes de transmissão e bobines, constroem os seus próprios carros…Sempre que tenho que recorrer a estes serviços fico com uma estúpida e enorme vontade de “perceber” de carros! Quando tiver um filho, vou substituir o jardim-de-infância pela oficina!

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Tuesday, May 9, 2006

Normalidade

Gosto sempre de pensar que a normalidade é relativa. Onde começa e acaba a fronteira do que é normal e do que já não é assim tão normal? Quem são os senhores que estabelecem e controlam essas divisões? E, já agora, com base em quê? Um exemplo muito banal: penso que todos nós temos um pouco de doentes, no sentido em que, todos somos um pouco paranóicos, obsessivos, desconfiados, ciumentos, delirantes (por vezes…), com as nossas manias, pancadas, rituais (chamem-lhe o que quiserem), e por aí fora. Correndo o risco de me expor demasiado, eu:

- Tenho sempre a sensação que os seguranças das lojas olham para mim de forma esquisita, como se fosse roubar, e tenho sempre medo que os sensores eléctricos instalados à saída apitem quando eu sair (e não, não tenho a consciência pesada…);

- Entro sempre pelo mesmo lado da cama para me deitar, e saio sempre pelo lado contrário;

- Tenho complexos com notas na carteira. Não que tenha muitas ou que isto aconteça frequentemente, mas acho que não há forma socialmente aceitável de tirar mais que duas notas da carteira…não sei…parece mal…é coiso…

- Não gosto de mudar o rolo de papel higiénico, nem de o usar até ao fim;

- Quando entro num bar, julgo sempre que toda a gente está a olhar para mim, e a criticar as calças, que por acaso estriei nesse dia. O caso mais flagrante, passa-se nos centros comerciais – sempre que atravesso as praças de alimentação, sinto-me tão observado que nem consigo andar normalmente. Quem, na realidade estiver a olhar para mim (3 pessoas no máximo), vai pensar que tenho algum problema de locomoção;

- Tenho um ritual, desde que acordo, de manhã, até sair de casa, e se o altero, parece que o dia não vai correr bem;

- Detesto toalhas novas, não limpam nada;

- E quando convivo pela primeira vez com amigos de amigos, tenho sempre medo que não gostem de mim ou que descubram que sou um puto num corpo de adulto…;

Será que isto é normal ou acabei de ganhar umas visitinhas até uns consultórios de psicólogos?

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Monday, April 17, 2006

Frase-chave

Não sei se já repararam, mas há frases que funcionam como código, nas mais diversas situações. Frases, conjuntos organizados de palavras-chave, que funcionam como introdução a um tema delicado e das quais facilmente (se se conhecer o código) se tiram conclusões sobre o teor do que vem a seguir, conteúdo este que na sua maioria não é nada de positivo. Acho que o meu cérebro já identificou várias delas e coloca-me em estado de alerta, pois quer dizer que algo de mau está para acontecer. Assim, e em prole de ajudar o próximo incauto e ingénuo, atentem:

- Quando um vizinho bate à porta e, algo alterado, pronuncia “Óh faxabor!!”, é porque não está a conseguir dormir com o barulho da aparelhagem e vem pedir justificações…

- Quando um segurança de um recinto, seja ele qual for, nos interpela com um “Olhe desculpe…”, é porque entrámos na porta errada, temos um saco a mais na mão ou quer fechar o estabelecimento.

- Quando uma namorada suavemente pronuncia “Temos que falar” ou “Há uma coisa que te quero contar”…fujam…não falem, pois a relação atingiu um ponto muito próximo do abismo e vai haver discussão…

- Quando alguém mais indignado reclama “Com todo o devido respeito”, ou “Não é nada pessoal, mas…” ou ainda “Sem querer ofender, mas…”, algo de muito mau vai ser pronunciado a seguir e acusações graves vão ser proferidas…

Posted by Chichorro at 02:45:39 | Permalink | Comments (8)

Sunday, April 2, 2006

O maravilhoso mundo da informática

Começo a pensar que os computadores têm vida própria e diferentes personalidades, mas, em comum, todos têm a capacidade de me dificultar a vida, chegando mesmo a gozar comigo. Às vezes parece que sabem, que adivinham o meu estado de humor. Digo isto porque, sempre que estou com menos paciência, mais irritado ou mesmo quando mais preciso de usar o computador, ele resolve piorar o dia, encravando antes de eu guardar o documento que demorei duas horas a escrever, desligar sem motivo aparente, não abrir programas, encontrar erros nunca vistos, ter falhas de ligação à Internet quando fiquei de falar com uma pessoa no Messenger, enfim… Desenvolvi a teoria de que os computadores são formados por “circuitos eléctricos entradotes”…circuitos gozões que gostam de brincadeira e de dificultar a vida às pessoas.

Nem sei como é que ainda não apareceu aquela janela a dizer “Ocorreu um erro fatal. Todos os programas serão fechados e os documentos perdidos.”, acompanhada daquele som que mais parece uma bomba a explodir…(eu acho que são gargalhadas informáticas…).

Posted by Chichorro at 01:24:18 | Permalink | Comments (3)

Friday, March 24, 2006

Dicionários

Quem terá sido a primeira pessoa a escrever um dicionário? Aliás, quem é que se lembra de fazer um dicionário? Estaria a pessoa tão entediada de jogar xadrez e de passear a cavalo que, numa tarde de chuva, enquanto escorregava pela poltrona sem saber o que fazer, foi iluminado e pensou “E se escrevesse todas as palavras que consigo dizer num papel?”. Também pode ter surgido de uma aposta, dois monges discutiam se a palavra “Vitualha” existia ou não, ou quantas palavras diferentes cada um conseguia dizer…O que é certo é que, em cada uma das hipóteses, essas pessoas tinham todo o poder linguístico nas suas mãos, visto que poderiam introduzir novas palavras e, pior, novos significados aos respectivos termos. Quem sabe se “merda” não era um amigo dessa pessoa a quem gostavam de pregar partidas…?

Posted by Chichorro at 15:12:15 | Permalink | Comments (2)

Monday, March 20, 2006

Engatatões

Definitivamente não domino a noite. Não sei porquê, não sei o que me falta. Sim, até já vesti calças rotas com letras no…na parte de trás e uma camisola justa. Avançando com algumas hipóteses diria que estes factos afastam-me do sucesso:

- Dançar. Incontornável. Mas eu não sei. Consigo mexer os pés e abanar o pescoço. Mais do que isso e assusto as pessoas, ou por pensarem que estou a ter ataques epilépticos ou por acharem que incorporei um gorila com comportamentos agressivos. Aliás, tenho a certeza de que se tentasse mexer a anca de algumas formas…bem energéticas, arriscava-me a deslocá-la;

- Não tenho lábia para chegar perto do sexo oposto e dizer frases tão inteligentes e elaboradas como: “O que queres para o pequeno-almoço?” ou “Jóia, posso ser o teu ourives?”. Penso sempre que as visadas não iriam gostar…

- Camisolas muito justas estão fora de questão, visto que os meus abdominais não são pequenos rectângulos, mas sim pequenos cilindros;

- Tenho o hábito de saltar e cantar o “Just can´t get enough” com o grupo de amigos;

- Embora pareça que sim, os meus companheiros de saídas nocturnas não dominam a noite (talvez pelas mesmas razões…);

- Não aprecio muito o acto de beber até perder o tónus muscular e só conseguir balbuciar “Somos amigos ou não somos?”;

- E tenho o estúpido hábito de julgar que para manter uma conversa minimamente interessante, saltar ao som de músicas com decibéis a mais não ajuda…

Não, não uso óculos, mas sim, sou um Nerd!

Posted by Chichorro at 01:52:25 | Permalink | Comments (7)

Friday, March 17, 2006

Os 15 minutos de fama

E se um dia me interrompessem uma vitória quase certa de Pro Evolution com um telefonema, a avisar que o meu blog tinha sido escolhido para blog da semana de um programa da rádio Comercial, sendo que nem foi a minha pessoa que o inscreveu, apenas consentiu, por curiosidade que um amigo o inscrevesse? Provavelmente, diria que era impossível, ninguém se poderia interessar por tanto lixo mental…Mas, ao que parece, não é bem assim, visto que isto se passou mesmo! Imaginem a minha alegria ao saber que o Actos Falhados está em alta – foi escolhido para blog desta semana do programa “O meu blog dava um programa de rádio”, o que equivale a ter publicidade grátis no site da Comercial (www.radiocomercial.clix.pt) e a ser lido (presumo que escolham os melhores…o que é difícil!) no Sábado ao 12h, com repetição no Domingo às 6h (se não estou em erro). Para mim é como receber um Óscar, por isso: “Gostaria de agradecer ao grande Acosta, em especial, por me ter inscrito e a toda a gente, no geral, por me dar tanta matéria para escrever”. Afinal, aquelas aulas sempre serviram para alguma coisa…

Posted by Chichorro at 15:48:32 | Permalink | Comments (12)