Thursday, July 27, 2006

Aquela semana de dois em dois anos

Tudo pronto para aproveitar o que se apresentava ser como uma semana de descanso e praia, em família. Partida sem destino fixo, mas com a certeza de não ir muito longe, nessa bela invenção, que testa os limites da sanidade mental e da agradável convivência social em espaços pequenos, denominada Auto-Caravana. Ok, não vou ver os Sopranos nem o House, mas é por uma causa nobre. Pois bem…dessa semana o saldo apresenta-se bem negativo e longe do prognóstico – um fim de tarde na praia, 24h seguidas na caravana (qual Locke na escotilha) e dois dias em viagem (ida e volta). Causa – amigdalite. Realmente, a garganta até me estava a doer um pouco, mas não liguei e do alto da minha enorme masculinidade fui-me banhar nessas águas tão pouco atractivas do Atlântico. Resultado – no dia a seguir foi-me diagnosticada amigdalite, o que para quem não sabe é o mesmo que ter uma bola de ténis encostada a um dos lados da garganta que impede a saudável passagem de alimentos e líquidos pela garganta, provocando uma enorme dor nesse nobre acto de engolir, com o bónus da febre que pelos vistos gosta de atacar ao fim do dia e à noite, provocando inúmeras horas de insónias. Até aqui nada de especial, tirando os comprimidos de dimensões consideráveis, ideais para quem está com dificuldades ao nível da garganta. O melhor estaria reservado para o dia seguinte em que acordo e quase não consigo falar. Escrevi quase porque considero falar o que os bebés tentam fazer nos primeiros meses de vida. “Hum, isto não está com muito bom aspecto” – ainda bem, não me agrada a ideia de alguém poder vir a comer pedaços da minha garganta – se calhar o melhor é regressar à base, não confiando nos espanhóis, com a mania que não nos percebem ainda fazem asneiras. Poucas horas depois, já de regresso a casa, preparo-me para as tais medidas drásticas. Saio de casa, tipo cão que sabe que vai ao veterinário e não quer, e dou entrada nessa instituição que não me agoira nada de bom, o Hospital. “Deite-se aí e abaixe as calças.”. Não, tudo menos isso…Não pode ser noutro lado? Pelos vistos não, e assim sou confrontado com um dos momentos menos másculos e mais constrangedores da minha ainda curta vida. Sim, porque isto de estar deitado numa maca, literalmente de cú para o ar, com mais duas pessoas acamadas na sala, e duas enfermeiras nas minhas costas, sendo que uma delas apontava uma seringa a partes desprotegidas do meu corpo, não tem muito de engraçado ou construtivo para a minha dignidade. Toma lá uma penicilina e amanhã voltas para outra. Ah, é capaz de te doer UM BOCADINHO quando te sentares. Resultado final – garganta inchada, traseiro dorido e quarentena de alguns dias em casa. Eu não sou muito de ficar doente, mas, senhora Amigdalite, parabéns pelo timing digno de uma lei de Murphy. Bem, pelo menos aqui tenho televisão e Internet…

Só mais uma curiosidade, um dos efeitos secundários desta adorável doença é a produção de saliva em quantidades absolutamente industriais. Como engolir dói, cuspo (para o lavatório que cuspir para o chão é feio) e digo, sem pinta de exagero que já podia ter enchido uma piscina olímpica de saliva.

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Saturday, July 22, 2006

Só uma pequena questão

Não nego, é verdade. Eu vi. E uma dúvida persiste e atormenta-me o espírito – O que podem dizer e pensar os filhos e netos desta festiva gente que constitui o tão eloquente público desse programa de imenso carácter lúdico denominado “Fiel ou Infiel?”?

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Friday, July 21, 2006

Às escondidas

Não me disseram quando começou o jogo, mas pelos vistos ninguém é avisado, cabe a cada um descobrir mais cedo ou mais tarde. Lembro-me quando comecei a jogar, há algum tempo, ia encontrando alguns escondidos e voltava a correr para os contar. O último teimava em não aparecer, e eu perdia sempre. Agora, continuo a jogar e a teimar em não te encontrar…admito que está difícil, mas não tenho pressa, até porque este jogo está a dar-me muito prazer. Acho que ainda não procurei na garagem…esconde-te bem porque ainda te posso encontrar demasiado cedo.

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Tuesday, July 18, 2006

Previsão meteorológica

Previsão para os próximos 60 dias: a norte o céu estará limpo, muito pouco nublado, embora com a possibilidade de ocorrência de precipitação nos dias de maior calor, vento fraco a moderado, vindo de pontos mais altos, com cuidado e muita atenção, em noites de fraca luz poderá ser possível avistar algumas estrelas cadentes. A sul prevê-se vento fraco, com fortes possibilidades de aumento de intensidade gradual, céu limpo, sem nuvens, embora as tempestades típicas desta altura se devam fazer sentir. O meu corpo está de férias. Sou capaz de ir até à França, ou até ao Gerês…sou capaz de arranjar um trabalho ou sou capaz de fazer o mesmo de sempre…não interessa, estou de férias.

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Tuesday, July 11, 2006

Parabéns

Um ano de Actos Falhados. Podia ser melhor, podia ser pior, podia nem ser…Não interessa, sinto-me de missão cumprida! E mesmo que seja com média de dois posts por mês, é para continuar.

Em jeito de academia, quero agradecer a todos os que tornaram isto possível, um sincero obrigado, sem vocês isto nunca teria sido possível.

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Thursday, July 6, 2006

Talvez amanhã

Já experimentaram sair de casa à 3h da madrugada? Não é que tenha assim nada de muito especial, mas as ruas desertas, os cafés fechados, os estores corridos nas janelas e varandas, o silêncio e o facto de a única luz ser a dos postes de iluminação, pode deixar-nos a pensar sobre imensas coisas, questões da vida em geral. Que giro, já passei aqui tantas vezes a correr, já me cruzei com tantas pessoas por aqui e agora esta rua é toda minha…ele há coisas…ou então não, podem, apenas, limitarem-se a contar o número de bandeiras orgulhosamente exibidas de pernas para o ar nas janelas. Pensa menos e vive mais, lembrei-me eu, vive o presente, aproveita a vida, cada dia como se fosse o último, o passado já fui lá atrás, aproveita o agora e não penses, amanha logo se vê….realmente, isto de pensar dá trabalho. Se calhar era bem mais fácil limitar-me a fazer o que me apetece sem pensar muito nas consequências, seguir o que o meu coração me diz! Tens que encontrar a felicidade, sê feliz! Agora que me lembro disso, até faz algum sentido. Pois é…se calhar…hum…se calhar isto não é assim tão leviano e irresponsável como eu julgava no início…talvez….até que gostava de encontrar essa tal felicidade, não a senhora que todos os meses me vai cobrar a renda do apartamento, mas a felicidade que taparia os olhos e construiria ilusões! Que bonito que seria…bem, vou é mudar o carro de sítio, não quero acordar e constatar que alguém o tirou dali por mim, ou que tenho uma jante amarela nova, ou, na melhor das hipóteses que um dos vidros está em bocados espalhados pelo chão. A realidade é bem menos idílica e não quero sobrecarregar o meu coração com decisões – já basta o desgraçado não poder parar, nem para dormir. Pensar dá mesmo trabalho, mas vale a pena. Nem que seja pelas dúvidas, pelas incertezas, pelas resoluções (boas ou más), pelas noites sem dormir, pelo sofrimento, angústia e alegria. Pensa menos, vive mais…talvez amanhã, que agora vou para dentro sem fazer barulho.

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Sunday, July 2, 2006

Hoje não

Sabe bem o conforto da cama. É enganadoramente quente e aconchegante. Daqui já não oiço as batidas descompassadas da música que me martelava na cabeça. Não sei porque fui lá, não gosto daquele som demasiado alto. Sei o que me levou lá. O coração não foi, ele só bombeia o sangue, não manda nada. Quando vou eu conseguir controlar-te dentro de mim? E claro que te vi, sentia-te lá. Tudo normal, como sempre, tudo tão fácil. Mas hoje não, não dá, não aguento mais. A bomba acabou de explodir e fez-me implodir. Como é fácil agarrarmo-nos e acreditar em ilusões, em sonhos que não vão chegar…pois, mas hoje não. Não vai dar mais, acabou. O que sempre esteve debaixo do nariz acabou por nos fazer espirrar. É pena, não devia ser assim. Devíamos ter sempre o que queremos, da maneira que queremos…é tão estranho desejar-mos o mesmo e estar-mos tão longe…Hoje acabou. Dói e vai doer, claro, de outra maneira não podia ser, mas é estranho, não me sinto mais leve. Será que o peso que carregamos nos ombros desapareceu? Quero que sim e desejo que não…

E viva Portugal!

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