Mecânicos
Sei que todas as profissões têm as suas características muito próprias, e que todas são passíveis de serem estereotipadas, mas os mecânicos são mesmo…peculiares. Quem já foi a uma oficina sabe que todas elas têm um ambiente e aspecto únicos. Carros de capot aberto, sem motor, panos desfeitos cheios de óleo, latas, frascos, recipientes vários cheios de líquidos de diversas cores, tubos, fios, máquinas cuja função nunca hei-de perceber, calendários com mulheres desnudas, pneus, tudo isto é obrigatório para a oficina ser considerada como tal. Isto, sem esquecer o mítico escritório – aquele compartimento minúsculo, com o letreiro na porta, composto apenas por uma secretária, cadeira, muitos papéis espalhados e misturados com calendários e por uma calculadora, daquelas que “imprimem” logo o recibo. Este último é o objecto mais avançado, e só existe porque não pode ser substituído por um ábaco. Tudo isto ao som da rádio local que complementa aquele ambiente…escuro, de paredes sujas (pergunto-me se haverá alguma oficina de paredes brancas…?).
Ao entrar numa oficina sinto-me sempre um miúdo e o meu nível de masculinidade cai a pique. Sinto-me completamente inferiorizado por mecânicos – aquela figura de fato de macaco, que cumprimenta com um “aperto de pulso”, conhece todos os mecânicos da zona e que faz “preços de amigo”, de certa forma intimida-me. Aquilo é que é! Eles andam sempre todos sujos de óleo, metem-se debaixo dos carros, não se queimam, possuem uma parafernália de palavras injuriosas, e derivadas, que não acaba (algumas nem sabia que existiam…), mudam correntes de transmissão e bobines, constroem os seus próprios carros…Sempre que tenho que recorrer a estes serviços fico com uma estúpida e enorme vontade de “perceber” de carros! Quando tiver um filho, vou substituir o jardim-de-infância pela oficina!