Carro novo
Lá baixo a cidade adormeceu. As nuvens tentam tapar a lua e o sossego aparente daquele conjunto de pontos amarelos proporciona uma vista que eu queria fotografar e reter para sempre na minha memória. Dizem que as luzes mais distantes tremem porque acendem e apagam cinquenta vezes por segundo. Eu acho que é o vento. Daqui não oiço nada. Só o silêncio. Já não sinto o corpo. A dor que o frio traz já não me afecta. O tempo deve ter parado e não me apetece sair daqui. Acho mesmo que podia ficar aqui eternamente. Perdi-me, já nem me lembro o que me trouxe aqui, mas ainda bem que este lugar existe. Quero olhar para todo o lado, mas não consigo. Quero observar a imagem toda, mas não consigo. “Isto não passa de um grande jogo, não tinha piada nenhum acabá-lo já. Vamos esperar pelos níveis mais difíceis, que estes já não dão pica”. Marquei um golo de rebola-caixotes e desci. Afinal a cidade não adormeceu, está só à espera da manhã. Ainda não foi hoje que te encontrei. Não há crise. Ainda não acabou a primeira parte e já estou a ganhar e vão existir sempre aqueles sítios donde só se vê a torre!
Estamos a ganhar, malta. Nenhum de nós cairá, que eu não deixo. Pelo menos enquanto vocês me forem mantendo em pé…
Estamos e continuaremos a ganhar.
Nunca iremos cair enquanto nos mantermos unidos…
Seremos para sempre os vencedores deste jogo que é a vida.
Nunca se ganha sempre. No entanto, mesmo quando estivermos a perder, há que saber que da próxima, vamos ganhar. E que no fim disto tudo, vamos mesmo ganhar…