Friday, March 24, 2006

Dicionários

Quem terá sido a primeira pessoa a escrever um dicionário? Aliás, quem é que se lembra de fazer um dicionário? Estaria a pessoa tão entediada de jogar xadrez e de passear a cavalo que, numa tarde de chuva, enquanto escorregava pela poltrona sem saber o que fazer, foi iluminado e pensou “E se escrevesse todas as palavras que consigo dizer num papel?”. Também pode ter surgido de uma aposta, dois monges discutiam se a palavra “Vitualha” existia ou não, ou quantas palavras diferentes cada um conseguia dizer…O que é certo é que, em cada uma das hipóteses, essas pessoas tinham todo o poder linguístico nas suas mãos, visto que poderiam introduzir novas palavras e, pior, novos significados aos respectivos termos. Quem sabe se “merda” não era um amigo dessa pessoa a quem gostavam de pregar partidas…?

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Monday, March 20, 2006

Engatatões

Definitivamente não domino a noite. Não sei porquê, não sei o que me falta. Sim, até já vesti calças rotas com letras no…na parte de trás e uma camisola justa. Avançando com algumas hipóteses diria que estes factos afastam-me do sucesso:

- Dançar. Incontornável. Mas eu não sei. Consigo mexer os pés e abanar o pescoço. Mais do que isso e assusto as pessoas, ou por pensarem que estou a ter ataques epilépticos ou por acharem que incorporei um gorila com comportamentos agressivos. Aliás, tenho a certeza de que se tentasse mexer a anca de algumas formas…bem energéticas, arriscava-me a deslocá-la;

- Não tenho lábia para chegar perto do sexo oposto e dizer frases tão inteligentes e elaboradas como: “O que queres para o pequeno-almoço?” ou “Jóia, posso ser o teu ourives?”. Penso sempre que as visadas não iriam gostar…

- Camisolas muito justas estão fora de questão, visto que os meus abdominais não são pequenos rectângulos, mas sim pequenos cilindros;

- Tenho o hábito de saltar e cantar o “Just can´t get enough” com o grupo de amigos;

- Embora pareça que sim, os meus companheiros de saídas nocturnas não dominam a noite (talvez pelas mesmas razões…);

- Não aprecio muito o acto de beber até perder o tónus muscular e só conseguir balbuciar “Somos amigos ou não somos?”;

- E tenho o estúpido hábito de julgar que para manter uma conversa minimamente interessante, saltar ao som de músicas com decibéis a mais não ajuda…

Não, não uso óculos, mas sim, sou um Nerd!

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Friday, March 17, 2006

Os 15 minutos de fama

E se um dia me interrompessem uma vitória quase certa de Pro Evolution com um telefonema, a avisar que o meu blog tinha sido escolhido para blog da semana de um programa da rádio Comercial, sendo que nem foi a minha pessoa que o inscreveu, apenas consentiu, por curiosidade que um amigo o inscrevesse? Provavelmente, diria que era impossível, ninguém se poderia interessar por tanto lixo mental…Mas, ao que parece, não é bem assim, visto que isto se passou mesmo! Imaginem a minha alegria ao saber que o Actos Falhados está em alta – foi escolhido para blog desta semana do programa “O meu blog dava um programa de rádio”, o que equivale a ter publicidade grátis no site da Comercial (www.radiocomercial.clix.pt) e a ser lido (presumo que escolham os melhores…o que é difícil!) no Sábado ao 12h, com repetição no Domingo às 6h (se não estou em erro). Para mim é como receber um Óscar, por isso: “Gostaria de agradecer ao grande Acosta, em especial, por me ter inscrito e a toda a gente, no geral, por me dar tanta matéria para escrever”. Afinal, aquelas aulas sempre serviram para alguma coisa…

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Sunday, March 12, 2006

Linha ténue

Qualquer dia acontece-me uma desgraça social. Por vezes (muitas vezes), perco o contacto com a realidade. O meu corpo continua ali sentado na sala de aula, enquanto que o meu pensamento volta para o meio dos lençóis, cheio de matéria onírica, formando então um estado de vigília algo curioso: o chamado “sonhar acordado”. Não fosse o facto de estar numa sala de aula, isto até seria suportável e mesmo agradável. Mas estando num contexto social sério (?) este acontecimento mental torna-se perigoso – quando se sonha acordado a linha entre a imaginação e a realidade é muito difusa e ténue, deixando, por momentos, de existir. Agora imaginem, eu ali sentado no meu lugar e ver terroristas, armados até aos dentes, a entrarem pela porta da sala ou a partirem as janelas e eu constituo a única salvação possível desta gente! Levanto-me e ao jeito de um Walker, começo a distribuir porrada gratuitamente. Roubo-lhe as armas e agora, num acto digno de um Rambo, mato implacavelmente todos os maus, salvo toda a gente, não sem antes sobreviver a uma bala. Ou então, uma final da Liga dos Campeões, último minuto de jogo, bola no meio campo, uma finta, duas, três adversários para trás, remate potente e…GOLO!! Quem olhasse para mim, via-me apenas a sorrir, mas e se um dia perco definitivamente o filtro social, levanto-me e começo a rebolar aos tiros…? Se calhar ia ter piada…ou então não…

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Wednesday, March 8, 2006

Zapping

A prova definitiva que o Homem é o resultado de evoluções primitivas foi-me revelada: o zapping televisivo. Imaginem o Homem ali sentado no sofá com o comando na mão, conseguindo ver quatro programas diferentes e um jogo de futebol porque muda de canal em fracções de segundo, absorvendo toda a informação útil. Este fenómeno só pode ser compreendido se o virmos através de uma perspectiva evolucionista - naquele momento o Homem está a…caçar! É um acto primitivo adaptado à actualidade – simplesmente procura a presa para a caçar!

Os macacos nunca me enganaram…

(Obrigado Prof. Psiquiatra)

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Monday, March 6, 2006

Carro novo

Lá baixo a cidade adormeceu. As nuvens tentam tapar a lua e o sossego aparente daquele conjunto de pontos amarelos proporciona uma vista que eu queria fotografar e reter para sempre na minha memória. Dizem que as luzes mais distantes tremem porque acendem e apagam cinquenta vezes por segundo. Eu acho que é o vento. Daqui não oiço nada. Só o silêncio. Já não sinto o corpo. A dor que o frio traz já não me afecta. O tempo deve ter parado e não me apetece sair daqui. Acho mesmo que podia ficar aqui eternamente. Perdi-me, já nem me lembro o que me trouxe aqui, mas ainda bem que este lugar existe. Quero olhar para todo o lado, mas não consigo. Quero observar a imagem toda, mas não consigo. “Isto não passa de um grande jogo, não tinha piada nenhum acabá-lo já. Vamos esperar pelos níveis mais difíceis, que estes já não dão pica”. Marquei um golo de rebola-caixotes e desci. Afinal a cidade não adormeceu, está só à espera da manhã. Ainda não foi hoje que te encontrei. Não há crise. Ainda não acabou a primeira parte e já estou a ganhar e vão existir sempre aqueles sítios donde só se vê a torre!

Posted by Chichorro at 22:15:19 | Permalink | Comments (3)

Sunday, March 5, 2006

Está tudo bem

Ele nunca ia perceber. Não conseguia ver isso. E será que valeria a pena tentar mudar? Fora dele não havia mais ninguém. Nunca iria encontrar outra pessoa… Era mais uma tarde a meio da semana, igual a tantas outras. O sítio já lhe era tão familiar como a pessoa que estava sentada à sua frente. A única luz natural provinha da porta e do dia triste que se tinha posto. O espaço era, pois, iluminado pela luz amarela dos candeeiros pregados na parede. Criavam estranhas formas dançantes nas paredes que se desvaneciam com o fumo dos cigarros em excesso. Uma rapariga demasiado artificial cantava e dançava no ecrã ao fundo da sala. Já não a ouvia. Nem a ela nem ao barulho de fundo criado pelas conversas alegres das outras mesas. Nada a prendia e então fugiu para longe dali…para o seu interior e que situação estranha ouvir-se a pensar! Em que é que ele estaria a pensar? Talvez em nada, talvez na música que não parava. Mas de certeza que não era no mesmo que ela. Não era capaz. Não percebia. Nunca atingiu. Para ele, aquele sofrimento não existia. Mas também já lhe era tão familiar este sentimento, que de certa maneira se habitou. Já tinha pensado tantas vezes em mudar, em gritar, em fugir…

- Está tudo bem querida? Pareces esquisita…

Não, não estava bem, nunca nada esteve bem.

- Está…

Posted by Chichorro at 04:35:25 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, March 2, 2006

Medo da folha branca

Pelos vistos as coisas não acontecem sozinhas, só por si. Os posts não se produzem sozinhos e ninguém os escreve por mim. Acho que cheguei à conclusão que não podemos parar. Há sempre alguém que nos pressiona. E ainda bem! Ainda bem que nos põe pressões, é sinal que, de alguma maneira, significamos para alguém, é sinal que esperam algo de nós. E isso obriga-nos a mexer, a andar, a reagir, a acordar. Talvez cansado de ver tudo na mesma, talvez cansado de ver tudo a mudar ou mesmo apenas por necessidade…

Posted by Chichorro at 20:04:30 | Permalink | Comments (4)