Sunday, November 27, 2005

Aberturas Fáceis

Se há coisas que me irritam são as aberturas fáceis do leite: ou são daquelas em que se recorta pelo picotado (e eu nunca consegui abrir aquilo sem uma tesoura) ou então são daquelas em que se tem que puxar uma tira de alumínio. Nestes casos, 90% das tiras são muito curtas e não dão para puxar. Anda ali uma pessoa a fazer um esforço enorme para agarrar o bocadinho suficientemente bem para puxar a tira toda e acabamos, desastradamente, por fazer figuras de parvos porque o pacote leva a melhor. Resultado: mísero bocado de alumínio na mão, o resto na abertura e o pacote fechado. Assim, tem que se recorrer à técnica milenar chinesa de furar com o extremo da colher.

Acrescentando o facto de maior parte das situações se passar ao pequeno-almoço, em que as funções cerebrais ainda não estão totalmente activas, digam-me o que é que isto tem de abertura fácil?

Posted by Chichorro at 02:23:48 | Permalink | Comments (4)

Thursday, November 24, 2005

Futebol

Depois de lerem o título, aposto que 80% dos leitores está a ler isto com mais entusiasmo e 20% perdeu o interesse ou chegou mesmo a não ler esta frase. Sem querer ser preconceituoso ou generalista aposto, também, que estes 20% são na sua totalidade elementos do sexo feminino (questiono-me se ainda mantenho alguma leitora…). Não ponho em causa que exista interesse feminino por este desporto, mas o ambiente que me rodeia, constantemente me demonstra e produz em mim este estereótipo.
Tenho sempre a ideia de que basta surgir este tema ou, simplesmente, o homem referi-lo por alguma razão e logo se acciona no cérebro feminino um alarme, acompanhado de um grande sentimento de incompreensão. Este fenómeno só é comparável, em sentido inverso, à paixão (incompreensível…) feminina por compras, shoppings, lojas, roupa e afins. Parece que são factores genéticos. Nesta óptica, é possível de deduzir, logicamente, que o futebol é algo inerente à essência humana masculina. É impossível ser-se indiferente. O futebol move paixões e ódios. É sempre tema de conversa, aproxima pessoas e serve como desbloqueador natural de conversas, evitando momentos constrangedores. É mais do que isso - é “o ópio do povo”. Sempre que vejo um jogo no estádio não consigo deixar de me lembrar e fazer a comparação a um coliseu romano! As pessoas transferem a sua raiva, exaltam-se, emocionam-se, vivendo alegrias e tristezas gigantescas. E no final daqueles 90 minutos só se pensa nos próximos. É a nossa fuga, é a nossa “droga”…E é a minha opinião.
Por isso, proponho aqui um acordo - façam um esforço, mesmo que não entendam o porquê, e deixem-nos ver os nossos joguinhos e discuti-los; em troca, nós continuamos a esperar à porta da Zara e a dizer como vocês ficam bem naquela saia!

Posted by Chichorro at 00:56:47 | Permalink | Comments (10)

Tuesday, November 22, 2005

Arrumar

Começo a pensar que sou a pessoa no mundo com o vício mais estúpido e perigoso para a saúde de sempre. Que não sou lá muito…convencional, já tinha percebido mas este estranho fenómeno é mais uma prova desse facto. Então o que me preocupa é o seguinte: porque é que só quando estou com uma extrema necessidade de satisfazer as minhas vontades fisiológicas ligadas à higiene e ao sistema urinário (e por vezes digestivo) é que me lembro de arrumar o quarto, a casa, o mundo? Já ando ali a dançar e a saltar, mas se vejo um quadro torto, um livro desalinhado ou uma camisa mal dobrada, não paro enquanto não estiver tudo no sítio. Aquilo já está desarrumado à uma semana, mas só naquele exacto momento é que reparo nisso. E acreditem que não é muito agradável sentir-me literalmente a rebentar, mas não controlar uma força ainda maior que me revela que tudo está desarrumado e que tem de ser urgentemente arrumado. E em minha casa poucas são as coisas colocadas no sítio certo, por isso imaginem o meu sofrimento…
Não há quem perceba o nosso cérebro…muito menos o meu!

Posted by Chichorro at 14:54:36 | Permalink | Comments (6)

Monday, November 14, 2005

Cor

Continuas a fechar-te dentro de ti
Continuas a não querer sofrer
Ficas contra ti
Com medo de ver
Não queres mostrar quem és
Mas por dentro lutas para sair

E se hoje nem tudo fosse cinzento?
E se hoje conseguisses ver a cores?
Sai e vê que há mais
Há outros tons para além do que vês
Há outras cores que não queres ver
Há um mundo lá fora por descobrir
E tu fazes parte dele!

Posted by Chichorro at 19:03:26 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, November 1, 2005

Casamentos

Eu quero acreditar que não sou a única pessoa que já viu “Os 102 Dálmatas” ou “Um polícia no jardim-escola” pelo menos umas três vezes (não ponho em questão a qualidade dos mesmos…) e sei que não sou o único que fixa o ecrã do computador, na página do Google (Googler para alguns…) na esperança que algo surja como que por magia. Neste sentido, e para todos aqueles que se encontram na mesma situação que a minha pessoa, descobri a solução para essas fantásticas tardes de Domingo, em que o momento de maior excitação é quando a mãe faz torradas para o lanche: casamentos! (a não ser que sejam o noivo/a ou o pai/mãe dos mesmos).

Pelo pequeno esforço de tirarem as calças de fato de treino e vestirem uma camisa e um casaco recebem em troca uma tarde cheia de diversão, com o grande bónus de poderem comer tudo o que conseguirem (e o que não conseguirem podem sempre meter no belo do “Taparuére” e trazerem para casa). Este é, provavelmente, o melhor fenómeno social para assegurar um dia de muita paródia e riso. Assim, se seguiram o meu conselho, deixo aqui algumas dicas para potencializarem ao máximo a diversão:

1 – Uma condição fundamental é não adormecerem na cerimónia, e ouvir o relato da bola está fora de questão, pois correriam o risco de perder os desmaios do noivo, o atraso das alianças ou o engano do padre a pronunciar os nomes. Aparecer alguém a gritar “NNNÂÂÂÂÂOOOOO!!!!” naquele momento em que se pode apontar algo contra a consumação, só nos filmes, por isso não crie falsas expectativas.

2 – Depois do beijo dos noivos, a tortura acabou e vão sair da igreja. Esta é a altura de fazer um corredor de pessoas à porta e atirar arroz aos noivos, enquanto estes passam. Sim, atirar arroz cru aos noivos…vejam o lado positivo – além de ser deveras divertido agredir alguém com comida, os pombos agradecem!

3 – Acabada a pior parte, não percam o lançamento do ramo de flores da noiva: a irmã mais nova, a mãe da sogra, a madrinha e todas as convidadas com idade inferior a 23 anos vão-se maltratar fisicamente para apanhar aquele raminho, pois julgam que a sortuda que o agarrar será a próxima a dar o nó…também nunca percebi.

4 – E agora a parte em que se podem exprimir livremente: vão percorrer uns 20km em caravana e a buzinar! Aproveitem, façam todo o barulho que conseguirem com o vosso carro e tentem perturbar ao máximo o descanso das outras pessoas. Não deixem de reparar no carro dos noivos…a sério, vale a pena!

5 – Chegados ao restaurante, está na altura de encher o estômago (não percam os croquetes…). Um pequeno segredo: levem um pouco de bicarbonato de sódio convosco. Assim, comam à vontade e quando estiverem quase a, literalmente, rebentar, tomem este pó mágico e….voilá! estarão prontos para atacar o 2º prato!

6 – A meio do almoço (normalmente é lá para as 17h) já irão presenciar as cenas mais engraçadas do dia: as crianças já andam a correr à volta das mesas e a gritar; a velha bêbada já estará a dançar ao som do órgão que aquele animador consegue provocar sem carregar nas teclas; o tio já estará ligeiramente tocado, sem gravata, e a contar as suas aventuras na Guiné em 64!; e o pai da noiva já chorou no ombro da sua filhinha e ameaçou entre dentes o agora marido.

7 – Finalmente, assegurem-se que não deixam a festa sem fazerem o comboio pelo salão ao som d´ “O Carocha”.

8 – Regressados a casa, metam o resto do bolo no frigorífico, tire os sapatos, guarde o fato e deite-se no sofá a relembrar o fantástico dia que passou!

Posted by Chichorro at 01:08:58 | Permalink | Comments (3)