Eu quero acreditar que não sou a única pessoa que já viu “Os 102 Dálmatas” ou “Um polícia no jardim-escola” pelo menos umas três vezes (não ponho em questão a qualidade dos mesmos…) e sei que não sou o único que fixa o ecrã do computador, na página do Google (Googler para alguns…) na esperança que algo surja como que por magia. Neste sentido, e para todos aqueles que se encontram na mesma situação que a minha pessoa, descobri a solução para essas fantásticas tardes de Domingo, em que o momento de maior excitação é quando a mãe faz torradas para o lanche: casamentos! (a não ser que sejam o noivo/a ou o pai/mãe dos mesmos).
Pelo pequeno esforço de tirarem as calças de fato de treino e vestirem uma camisa e um casaco recebem em troca uma tarde cheia de diversão, com o grande bónus de poderem comer tudo o que conseguirem (e o que não conseguirem podem sempre meter no belo do “Taparuére” e trazerem para casa). Este é, provavelmente, o melhor fenómeno social para assegurar um dia de muita paródia e riso. Assim, se seguiram o meu conselho, deixo aqui algumas dicas para potencializarem ao máximo a diversão:
1 – Uma condição fundamental é não adormecerem na cerimónia, e ouvir o relato da bola está fora de questão, pois correriam o risco de perder os desmaios do noivo, o atraso das alianças ou o engano do padre a pronunciar os nomes. Aparecer alguém a gritar “NNNÂÂÂÂÂOOOOO!!!!” naquele momento em que se pode apontar algo contra a consumação, só nos filmes, por isso não crie falsas expectativas.
2 – Depois do beijo dos noivos, a tortura acabou e vão sair da igreja. Esta é a altura de fazer um corredor de pessoas à porta e atirar arroz aos noivos, enquanto estes passam. Sim, atirar arroz cru aos noivos…vejam o lado positivo – além de ser deveras divertido agredir alguém com comida, os pombos agradecem!
3 – Acabada a pior parte, não percam o lançamento do ramo de flores da noiva: a irmã mais nova, a mãe da sogra, a madrinha e todas as convidadas com idade inferior a 23 anos vão-se maltratar fisicamente para apanhar aquele raminho, pois julgam que a sortuda que o agarrar será a próxima a dar o nó…também nunca percebi.
4 – E agora a parte em que se podem exprimir livremente: vão percorrer uns 20km em caravana e a buzinar! Aproveitem, façam todo o barulho que conseguirem com o vosso carro e tentem perturbar ao máximo o descanso das outras pessoas. Não deixem de reparar no carro dos noivos…a sério, vale a pena!
5 – Chegados ao restaurante, está na altura de encher o estômago (não percam os croquetes…). Um pequeno segredo: levem um pouco de bicarbonato de sódio convosco. Assim, comam à vontade e quando estiverem quase a, literalmente, rebentar, tomem este pó mágico e….voilá! estarão prontos para atacar o 2º prato!
6 – A meio do almoço (normalmente é lá para as 17h) já irão presenciar as cenas mais engraçadas do dia: as crianças já andam a correr à volta das mesas e a gritar; a velha bêbada já estará a dançar ao som do órgão que aquele animador consegue provocar sem carregar nas teclas; o tio já estará ligeiramente tocado, sem gravata, e a contar as suas aventuras na Guiné em 64!; e o pai da noiva já chorou no ombro da sua filhinha e ameaçou entre dentes o agora marido.
7 – Finalmente, assegurem-se que não deixam a festa sem fazerem o comboio pelo salão ao som d´ “O Carocha”.
8 – Regressados a casa, metam o resto do bolo no frigorífico, tire os sapatos, guarde o fato e deite-se no sofá a relembrar o fantástico dia que passou!